Seguidores

sábado, 5 de dezembro de 2009

E é para isto que servem os amigos: quando sentimos que já nada se pode recompor, que já nada faz sentido, eles acordam-nos para a vida, dizem-nos que ainda nos temos uns aos outros, precisamos uns dos outros, somos essenciais uns para os outros, somos a razão do viver uns dos outros. É o cheiro, a voz, aquela mão, o nosso porto seguro. São as musicas, as brincadeiras que por mais tempo que passe vão ficar sempre na nossa memória. Porque são estas as pessoas que estão mais presentes do que tudo, porque são eles que nos ouvem quando a nossa mãe deita a nossa chupeta fora, quando a professora berrou a primeira vez connosco, quando tivemos o primeiro desgosto amoroso, quando morre o nosso cão, e ficam sempre presentes.
Depois chega o amor, ao mesmo tempo que o acne, e aí a consciência começa a pesar e as memórias tornam-se mais claras ao longo do tempo, tudo nos faz parecer o fim do mundo. Começam a aparecer textos como estes que nos ajudam a organizar a cabeça e estabelecer prioridades. É agora que tomamos consciência que a nossa família não é perfeita, que a mãe se refugia onde não devia para conseguir encarar a cara dos pai todos os dias, que não foi fiel à família, ou vice-versa. Ou chega à altura em que já somos crescidos o suficiente e nos contam que a nossa mãe esta doente, e aí tudo é mais difícil. A musica é o nosso maior apoio, começamos a distinguir os amigos e a conhecer-nos a nós próprios, e aí ou somos honestos, aceitamos os nossos defeitos, tentamos ser melhores e aceitamos-nos, aprendemos a gostar de nós, ou simplesmente tentamos mostrar aos outros que somos os maiores e que nos amamos, quando no fundo só queremos que os outros nos aceitem para nos sentirmos melhor connosco.

Sem comentários:

Enviar um comentário